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Campanha Salarial: metalúrgicos votam propostas na próxima semana

No G3 e Sindicel, após pressão da FEM/CUT, proposta de reajuste salarial chegou a 10,50%, índice maior que o acumulado desde a última data-base – 10,42%; no G2 patrões insistem em parcelar o pagamento

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2021 - 13:18 - Atualizado em 04/10/2021 09:27
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setembrojholl, 2021, imprensa, Foguinho/Imprensa SMetal
No G2, que engloba empresas como Clarios, Metso e CNH, patrão quer parcelar o reajuste em três vezesFoguinho/Imprensa SMetal
A Campanha Salarial dos metalúrgicos entra em uma fase decisiva. Na próxima semana, os trabalhadores da base do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) votam as propostas negociadas com as bancadas patronais pela Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM/CUT).

Para as empresas do Grupo 3 (G3), após muita pressão da FEM/CUT, a proposta prevê o reajuste dos salários em 10,50% - valor acima da inflação acumulada para o período, que foi de 10,42%. Além disso, a negociação garante a renovação da convenção coletiva até 2024 e, ainda, estabelece prioridade de novas contratações para pessoas vacinadas contra a Covid-19.

O G3 abrange os setores os setores de autopeças, peças, parafusos e forjarias e tem cerca de 10.500 trabalhadores.

No grupo patronal Sindicel, a proposta chega a 10,50% de reajuste salarial e será aplicado também no piso e no salário de entrada. A negociação com a FEM/CUT garante a renovação da convenção coletiva por dois anos e, a partir de 2022, prevê que pessoas vacinadas contra o coronavírus tenham prioridade nas contratações. O Sindicel abrange as empresas Prysmian, Furukawa, Sei Brasil e Condex, entre outras. Cerca de 2,4 mil trabalhadores fazem parte desse grupo.

Em ambos os grupos, o reajuste será aplicado a partir de 1º de setembro desde ano integralmente.

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Adilson Faustino (Carpinha), da FEM/CUT, destaca a união e mobilização da categoria para pressionar os patrõesFoguinho/Imprensa SMetal

Para Adilson Faustino (Carpinha), secretário de finanças da FEM/CUT e dirigente do SMetal, as propostas acima são resultado de muita pressão e mobilização. “Tivemos um processo bastante difícil de negociação, com o patrão chorando muito para pagar o que é direito da categoria, mas não aceitamos nada menos do que os trabalhadores merecem e, junto com o apoio dos metalúrgicos, pressionamos para garantir uma campanha satisfatória”.

Leandro Soares, presidente do SMetal, completa: “Ao longo da pandemia, muitos trabalhadores continuaram nas fábricas garantindo a produção e, por isso, a indústria apresentou bons resultados. Por outro lado, o poder de compra das pessoas foi estrangulado por uma inflação descontrolada e pela inércia do governo Bolsonaro. Nesse cenário, o SMetal não mediu esforços para buscar um reajuste que minimize as perdas do período, trabalhando fortemente a mobilização nas portas das empresas e foi essa união da categoria que fez com as negociações chegassem a essas propostas”.

G2 insiste em parcelar o reajuste

Já no Grupo 2 a luta continua. Os empresários insistem em pagar o reajuste no índice acumulado da inflação – 10,42% – parcelado em três vezes.

A proposta sugere pagar 3,47% em 1º de setembro. Depois, em janeiro de 2022, haveria o pagamento de 3,47% e, por fim, em abril do ano que vem, mais 3,48%. A FEM/CUT e os sindicatos filiados devem protocolar comunicado de greve nas empresas do grupo na próxima semana.

O G2 engloba segmentos de máquinas/equipamentos elétricos e eletroeletrônicos. Fazem parte do Grupo 2 empresas como a Clarios, Metso, CNH, JCB, Flextronics, Heller/Index, Baterias Moura, ABB, Emerson, entre outras 13 empresas que empregam 36% dos trabalhadores metalúrgicos da base do SMetal.

Nos outros grupos, segundo Carpinha, ainda faltam ajustes econômicos e a garantia da renovação da Convenção Coletiva por dois anos. “É importante enfatizar que não existe a possibilidade de parcelar o reajuste. Isso a categoria não vai aceitar de modo algum. Além disso, a nossa convenção renovada até 2023 é de suma importância para garantir nossos direitos, que já sofrem diversos ataques nos últimos anos”.

Carpinha explica que, na próxima semana, se não houver avanço nas negociações, serão protocolados comunicados de greves nesses grupos.

O presidente do SMetal, Leandro Soares, diz que a proposta é um desrespeito com os trabalhadores. “Não cansamos de repetir que é o metalúrgico que garante a produção das empresas e, diga-se de passagem, elas estão indo bem, com resultados bastantes positivos. Portanto, não há argumento para parcelar o reajuste de tantos pais e mães de família que tanto sofrem para ganhar o pão de cada dia”.

Ele completa dizendo que vai ter luta: "Temos uma categoria forte que vai lutar para fazer os seus direitos e mostrar para o patrão que vamos exigir o reajuste de acordo com a realidade. Não temos medo de ir para o enfrentamento”.

Base do SMetal vota propostas na semana que vem

Na próxima semana, as propostas apresentadas até agora serão votadas pelos trabalhadores da base. De acordo com o secretário-geral do SMetal, Silvio Ferreira, é um importante momento de participação da categoria.

“Ao longo de quatro meses, trabalhamos incansavelmente nas negociações com os empresários, buscando fazer valer os direitos dos metalúrgicos.  Agora é um momento democrático, no qual os trabalhadores decidem se as propostas devem ser aceitas”.

Silvio explica que, apesar da flexibilização das restrições da pandemia, o Sindicato vai manter as assembleias no sistema híbrido – online e presencial. “Nosso objetivo é garantir a participação de todos. Apesar de muita gente ter se vacinado, nem todo mundo se sente seguro para ambientes mais cheios. Então, teremos as duas modalidades de votação para que ninguém deixe de exercer seu direito de participar da decisão”.

Ainda segundo Silvio, é importante lembrar que a Campanha Salarial não acaba com essa votação. "Onde tivermos margem, vamos pautar as empresas para valorização dos trabalhadores, buscando ampliar o valor do reajuste e também garantindo melhorias nos benefícios". 

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