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Campanha Salarial 2022 será um grande desafio, por Leandro Soares

Em artigo publicado na Folha Metalúrgica, o presidente do SMetal explica que, com a inflação fora de controle, tendência é que a data-base dos Metalúrgicos da CUT ultrapasse novamente os 10%, como foi ano passado

Quarta-feira, 18 de Maio de 2022 - 11:17 - Atualizado em 07/06/2022 14:53

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No começo do mês, foi aprovada a pauta de reivindicações que será entregue para as bancadas patronais no início de junhoFoguinho/Imprensa SMetal
Mais uma vez iniciamos nossa Campanha Salarial. No começo do mês, aprovamos a pauta de reivindicações que será entregue para as bancadas patronais no início de junho e, a partir daí, daremos início às negociações.

Não é preciso dizer que teremos um grande desafio pela frente. Em apenas oitos meses, o salário dos metalúrgicos já foi desvalorizado em 8,66%, considerando o período de setembro de 2021 até abril deste ano. Os dados foram compilados pela subseção do Dieese do SMetal e levam em consideração o INPC.

Em 2021, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 10,42%, um número bastante alto que demandou uma árdua luta para garantir a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras.

Ao longo da Campanha Salarial de 2021, enfrentamos as tentativas dos patrões de pagar o reajuste abaixo da inflação e parcelado em até três vezes, em alguns casos. Nós do SMetal, junto da FEM-CUT/SP, não aceitamos e pressionamos, conquistando reajuste igual ou superior à inflação para mais de 96% da categoria.

Com a inflação fora de controle, a tendência é que a data-base passe novamente dos 10%, como foi no ano passado. Além disso, o custo de vida pesa bastante no bolso da classe trabalhadora. A gasolina chega a custar mais de R$ 7, o gás de cozinha pode custar até R$ 120 e 34 itens simples de alimentação, higiene e alimentação vale R$ 1.083,34 em Sorocaba, quase o mesmo quem um salário mínimo.

Aliás, diga-se de passagem, com o governo Bolsonaro, até o final do ano, o salário mínimo vai estar 1,7% menor do que quando ele assumiu o governo, no início de 2019. É o primeiro presidente a deixar a renda mensal da classe trabalhadora menor desde a criação do Plano Real, em 1994.

E Bolsonaro não para por aí. Em mais um ataque aos trabalhadores, ele tentou mais uma vez mudar as regras do FGTS, diminuindo a multa para as demissões sem justa causa de 40% para 20%. Além disso, a proposta previa que a contribuição das empresas sobre os salários passe de 8% para 2%.

É um absurdo atrás do outro, mas não é surpresa. Bolsonaro sempre disse que as pessoas teriam que escolher se queriam emprego ou direitos. Nós não aceitamos esse discurso falacioso. Emprego se cria com direitos garantidos e nossa história recente mostrou isso. Com Lula e Dilma chegamos ao pleno emprego, o salário subiu e os direitos foram garantidos.

Nós acreditamos nesse Brasil de igualdade, de oportunidades e justiça social. Não podemos ser uma nação rica quando vemos a fome voltar aos nosso cotidiano, se temos milhões de desempregados e outros milhões em trabalho precário. Não é esse Brasil que merecemos. Continuamos diariamente nosso compromisso de lutar pelos direitos da categoria metalúrgica e também pela sociedade porque somos parte de um todo e somente juntos vamos mudar nossa realidade para melhor.

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