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Dia da Bandeira

Caminhos para recuperar a bandeira nacional como um símbolo de todos

Neste 19 de novembro, em que se celebra o Dia da Bandeira, o SMetal conversou com o cientista social João Negrão sobre a apropriação da bandeira nacional como símbolo político de determinados grupos

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2020 - 11:47 - Atualizado em 24/11/2020 10:25
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carol, outubro, 2020, imprensa, Foguinho/Arquivo Imprensa SMetal
Na foto, militantes sindicais, sociais e estudantes protestam contra o impeachment da ex-presidente Dilma, em 2016 Foguinho/Arquivo Imprensa SMetal
Nos últimos anos, tem sido comum observar o uso da bandeira nacional como símbolo político. Principalmente por parte de polos conservadores, de direita e extrema direita, entre outros indivíduos, que se dizem “nacionalistas”. Deste modo, muitas pessoas passaram a se sentir desconfortáveis com o verde e amarelo da bandeira brasileira.

O doutor em ciências sociais e jornalista, João José de Oliveira Negrão, explica que ao passo que as lutas dos setores progressistas tendem a ser internacionalistas, grupos políticos extremistas se agarram ao nacionalismo exacerbado. “Historicamente, os grupos de direita e de extrema direita sempre tentaram se apropriar dos símbolos nacionais, que são uma criação da época da constituição dos estados modernos, especialmente na Europa, na sua luta contra os senhores feudais. O caso brasileiro, com essa tentativa de apropriação pela Direita, é semelhante”, comenta.

O especialista recorda que esses grupos empregam tentativas de usurpar símbolos nacionais, para disseminar uma ideia de que a nação é, antes de plural e diversa, pertencente a uma parcela muito pequena da população que ignora a imensa maioria da sociedade brasileira – que é também composta por pobres, mulheres, negros, LGBTQIA+, entre outros grupos que são tratados, de forma equivocada, como minorias.

Segundo Negrão, é preciso retomar esse símbolo já que “na luta pela apropriação dos símbolos nacionais se recoloca a luta de classes”. Para ele, “os movimentos sociais e partidários, entre as suas bandeiras, pode pensar em levar a bandeira brasileira, como forma de tensionar essa apropriação”.

Isso também é o que pensa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Soares. Ele diz que é necessário resgatar a bandeira com orgulho; para torna-la, novamente, de todos. “Existe uma onda conservadora que faz que o povo acredite que essa bandeira não nos pertence. Justamente por ela estar atrelada aos interesses de uns poucos, usadas em manifestações fascistas e de retiradas de direitos”, comenta. “É por esse caminho que devemos seguir. Esse Brasil, verde e amarelo, é nosso! Dos trabalhadores, mulheres, da população negra”, finaliza.

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