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Brasil vive pior fase da pandemia com explosão de casos e mais de 250 mil mortes

Diferente de vários países que começaram cedo a imunização contra a Covid-19, o país está há 35 dias seguido com média móvel de mortes acima de mil por dia; somente nas últimas 24h, foram 1433 óbitos

Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021 - 14:30 - Atualizado em 25/02/2021 15:06
Redação Portal CUT

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Hospital de Campanha de Santarém, no Oeste do ParáPedro Guerreiro / Ag. Pará - fotos públicas
Na contramão de vários países do mundo, o Brasil, que completa um ano da confirmação do primeiro caso do novo coronavírus, chegou, nesta quarta-feira (24), a 250 mil vidas perdidas para a Covid-19 e, nesta quinta, vai ultrapassar essa terrível marca.  É a pior fase da pandemia no país, que enfrenta picos de internações, falta de leitos e de vacinas e uma variante mais transmissível que surgiu em Manaus e já circula em vários estados.

No dia 7 de janeiro deste ano, o Brasil chegou a 200 mil mortes e, em apenas 48 dias, atingiu a marca de 250 mil. O ritmo das mortes deve continuar acelerando, segundo especialistas, já que o país não fez o dever de casa: restrição rígida de circulação de pessoas. Eles apontam ainda que, neste ritmo, o Brasil pode atingir 300 mil mortes ainda no mês de março.

O país está há 35 dias seguido com média móvel de mortes acima de mil. Foi a maior média móvel de óbitos em toda a pandemia, 1.127 vítimas por dia, sendo 1433 nas últimas 24 horas, mais um recorde.

O número total de vítimas da pandemia no Brasil pode ser ainda maior, considerando a subnotificação e outros óbitos que ainda aguardam confirmação dos testes para a Covid-19. As mortes nas duas últimas semanas tiveram um crescimento acima de 2%, o que representa uma situação de estabilidade, porém, em patamar elevado.

Ao contrário de vários países, que começaram cedo a imunização contra a Covid-19, decretaram lockdown e várias medidas para restringir a circulação de pessoas, o Brasil, que vem desde novembro do ano passado com tendências de crescimento da doença e ainda não tem sinal de controle, mantém a desorganização e a falta de um comando nacional de combate a pandemia, além da péssima gestão do Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello.

O atraso nas compras de vacina, insumos e até recursos para novos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermarias, são algumas das trapalhadas do governo federal. Enquanto outros países têm ação efetiva para o controle da pandemia com campanhas de vacinação e outras medidas, o Brasil vive o drama e angústia da falta dos imunizantes e de governo.

Prefeitos e governadores adotam medidas rígidas

Sem ação do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), prefeitos e governadores adotaram medidas duras para frear o avanço da doença.

Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Piauí, Santa Catarina, Bahia, Fortaleza endureceram as regras de isolamento social. Grandes cidades do estado de São Paulo, como Araraquara, adotaram lockdown e toque de recolher à noite.

Saiba mais: SP decreta toque de recolher das 23h às 5h a partir de sexta (26) para frear Covid

Para frear a propagação da Covid-19, nesta quarta-feira (24), o estado de São Paulo decretou toque de recolher das 23h às 5h a partir de sexta (26). A pressão dos empresários do comércio levou o governador João Doria (PSDB) a tomar uma medida mais leve do que as que estão sendo decretadas por vários prefeitos. Para especialistas, a restrição deveria ser maior, já que São Paulo registra aumento no número de casos de Covid-19 e recorde de pessoas internadas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O Rio Grande do Sul também vive o pior momento da pandemia. Nesta semana, houve uma disparada nas internações na rede pública de saúde do estado, aumento de 72% em leitos clínicos e de 27% nos de UTI.

A capital, Porto Alegre, tem 96% de sua rede tomada por pacientes com Covid-19, enquanto o estado está com 87% dos leitos ocupados. A expectativa é que o número de mortes e casos continue aumentando após as festas e aglomerações do feriado de carnaval.

Nordeste decreta toque de recolher

Os estados de Pernambuco e de Piauí também decretaram toque de recolher e a capital da Bahia, Salvador, determinou o fechamento de praias na tentativa de conter o avanço da Covid-19. O mesmo foi decido pelas autoridades de João Pessoa.

O governo do estado de Pernambuco decretou toque de recolher em 63 municípios das gerências regionais de Saúde de Limoeiro, de Caruaru e de Ouricuri, localizadas no agreste e sertão pernambucano, até o dia 10 de março. Todas as atividades econômicas e sociais estão proibidas das 20h até as 5h durante a semana, e das 17h às 5h nos finais de semana. 

No Piauí, um novo decreto instituiu toque de recolher foi anunciado nesta quarta-feira (24) em todo o estado das 23 h às 5 h até o dia 4 de março, ficando proibida a circulação de pessoas em espaços e vias públicas. Nos finais de semana devem funcionar somente atividades essenciais.

Já em Salvador, praias e os clubes da capital baiana estarão fechados a partir desta quarta-feira (25). A proibição vai até o dia 2 de março e tapumes devem impedir a circulação de pessoas nas praias do Rio Vermelho, Amaralina e também na Barra.

O estado da Bahia vive o momento mais crítico da pandemia causada pelo coronavírus. O Hospital Santa Isabel, Hospital de Campanha da Itaigara, Hospital do Subúrbio e o Hospital Municipal de Salvador, já apresentam 100% de ocupação dos leitos de UTI.  O estado conta com 2.220 leitos ativos e 1.572 para internação. Outro dado que chama a atenção é que o estado chegou a marca de 82% na taxa de ocupação dos leitos da UTI para adultos e 71% para ocupação geral. Ao todo, 11.321 pessoas já faleceram acometidas pela doença. 

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