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Autopeças elevam investimentos

Reportagem divulgada pelo jornal Valor, nesta quarta-feira, 13, informa que a indústria de autopeças está com aumento nas vendas de veículos. O Sindipeças estima  chegar a um crescimento de 20%

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017 - 10:45
Jornal Valor

Sindipeças, Divulgação
Produção de carros aumenta e o setor patronal Sindipeças já pensa em rever projeção de 10% para 20% de crescimentoDivulgação
Depois de três anos consecutivos de quedas no faturamento, nível de emprego e de investimento, a indústria de autopeças começa a respirar, embalada pelo aumento nas vendas de veículos nos mercados interno e externo e por suas próprias exportações. Nos próximos dias o Sindipeças, sindicato que representa o setor, vai rever a projeção que inicialmente indicava crescimento de 10% na produção de veículos este ano. "Essa previsão está muito defasada; devemos chegar em 20%", afirma o presidente da entidade, Dan Ioschpe.

Até o primeiro quadrimestre, segundo Ioschpe, o volume de encomendas das montadoras refletia o aumento das exportações de veículos. "Mas desde maio começamos a detectar uma melhora proveniente do mercado interno", destaca. "Temos agora duas frentes de demanda", destaca.
A constatação de que a recuperação de fato chegou já levou essa indústria a reabrir postos de trabalho. Depois de sucessivos meses de retração houve aumento no nível de emprego de 0,59% em maio e de 0,29% em junho, em relação aos meses anteriores, segundo os últimos dados disponíveis.
Há um ano, as autopeças operavam com ociosidade de mais de 50%. Esse semestre começou com 34% e a tendência é diminuir. Somente em julho, a receita com exportações do setor - US$ 638,3 milhões- ficou 17,2% acima do total do mesmo mês em 2016. Na primeira metade do ano a participação das montadoras nas entregas do setor subiu de 58% para 62%.

Na véspera de o governo lançar uma nova política industrial para o setor, o Rota 2030, os dirigentes do setor de autopeças mostram-se animados Segundo o presidente da Cummins, fabricante de motores pesados, Luis Pasquotto, o programa que expira este ano, o Inovar-Auto, beneficiou mais as montadoras ao desestimular a entrada de carros importados. Segundo ele, pesquisa com os associados do Sindipeças mostrou que para dois terços deles o Inovar-Auto foi negativo ou indiferente para o setor.

Mas as coisas tendem a mudar no novo programa. Por isso, os fabricantes de autopeças preparam-se para investir mais. Para 2018, o Sindipeças projeta investimentos de US$ 2,5 bilhões, o que significa voltar aos níveis de 2014 e quase dobrar o volume de 2016, que ficou em US$ 1,5 bilhão.

No Rota 2030, a ajuda governamental aos fabricantes de autopeças não virá por meio de benefícios fiscais ou financiamento, como chegou-se a cogitar. Segundo Ioschpe, a ideia é ampliar a participação das empresas em ferramentas já existentes.

Na mais importante, diz ele, recursos do governo ajudam a criar grupos nos quais as empresas maiores orientam as menores em temas como gestão e, principalmente, a necessidade de avançar em pesquisa e desenvolvimento para adequar-se às mudanças nos automóveis.

"Nosso setor vive um momento de rupturas, com um futuro desafiador", disse Ioschpe ontem, durante palestra em seminário da Associação Brasileira da Engenharia Automotiva (AEA). "Os novos usos de um veículo, que passa a ser não próprio ou compartilhado, já são suficientes para virar nosso setor de cabeça para baixo", disse a uma plateia lotada de engenheiros.

As mudanças o surpreendem. "Há doze meses não imaginávamos que o desenvolvimento do carro elétrico seria tão rápido. Mas tudo mudou quando a China, maior mercado do mundo, estabeleceu metas agressivas para o uso dessa

fonte de energia. Isso pressiona os europeus", afirma.

Para Ioschpe, o Brasil passou um período "alheio"à inserção competitiva desse setor, um dos mais globalizados do mundo. Isso ocorreu, diz, porque tirava-se proveito do crescente mercado interno. Mas a crise fez essa indústria acordar. Para ele, o novo programa setorial e o acordo entre Mercosul e União Europeia darão ao país a chance de buscar mais competitividade. "Dessa forma poderemos diminuir a distância entre os carros vendidos aqui e no resto do mundo."

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