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Ativistas ocupam Palácio Capanema contra extinção do Ministério da Cultura

Prédio ocupado abriga a Funarte, ligada ao ministério. Deputada Jandira Feghali diz que Temer "tem cheiro de elite atrasada, preconceituosa, homofóbica e contra o povo"

Terça-feira, 17 de Maio de 2016 - 09:39 - Atualizado em 27/12/2016 14:45
Rede Brasil Atual

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Abraçaço realiado pelos ativistas: extinção de ministério já se mostra como erro de estratégia de Temer
O Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, foi ocupado na manhã de hoje (16) por ativistas, artistas, profissionais da cultura e sociedade civil, contra a extinção do Ministério da Cultura (MinC) com a posse do governo interino de Michel Temer. O palácio abriga a Fundação Nacional das Artes (Funarte), que é ligada ao ministério.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) esteve na ocupação. Ela afirmou que "os acordos que fizeram com o patronato urbano e rural é o que se anuncia ontem e hoje em todos os jornais, vão rever toda a demarcação de terra indígena, de terra quilombola, já entraram com reforma da Previdência, reforma trabalhista, extinção de estruturas fundamentais do Estado brasileiro, como o Ministério da Cultura, ou seja, é um governo que não tem cheiro de povo, tem cheiro de elite atrasada, preconceituosa, homofóbica e contra o povo e a nação brasileira".

Jandira também mencionou a entrega do pré-sal à iniciativa privada, o que significa um dos mais fortes ataques da política neoliberalista do governo que assumiu com a admissão do processo de impeachment de Dilma Rousseff. "A resistência é agora, nós precisamos arrancar três votos do outro lado apenas, porque eles tiveram 55 votos", disse a deputada, em referência à votação do processo de afastamento, na quarta-feira (11), no Senado Federal. "Vamos continuar na rua, nessa batalha, e vamos defender a cultura brasileira onde nós estivermos, vamos fazer a defesa daquilo que a gente acredita, ninguém aguenta mais governo golpista neste país, ele tem de sair de lá."

O ator e humorista Bemvindo Sequeira também se manifestou em apoio à ocupação. "Não tem diálogo com Temer, não tem de saber se vai ter secretária mulher ou não, ou homem, ou se vai ser um traveco, não interessa, ele não tem legitimidade nem para acabar com ministério, nem para nomear ninguém para ministério nenhum. É um golpista que tomou o poder de assalto, com a ajuda daqueles malandros, salafrários, que você viu no dia 17", disse, lembrando a sessão de 17 de abril, que os deputados aprovaram o processo de impeachment.

Agora à tarde, os manifestantes realizaram uma assembleia aberta e um 'abraçaço' no prédio, segundo informações da Mídia Ninja, que acompanha a ocupação. O MinC foi extinto para se tornar uma secretária especial debaixo do Ministério da Educação, que com a mudança de governo passou para o deputado pernambucano Mendonça Filho (DEM). Ele, aliás, foi recebido pelos funcionários com um ato de protesto. Outro revés de Temer na área foi experimentado no fim de semana, com a recusa da jornalista Marília Gabriela ao convite para assumir a Secretaria Especial de Cultura. Marília foi convidada pela senadora peemedebista Marta Suplicy.

Ato em São Paulo

O vereador Nabil Bonduki, ex-secretário de Cultura de São Paulo, mais representantes do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura (instituição que reúne 22 secretários do país), intelectuais e artistas, ocupam amanhã, às 18h, o corredor-palco do Teatro Oficina, em São Paulo. Eles farão um ato contra a decisão de se extinguir o Ministério da Cultura.

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