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Acordo automotivo deve impulsionar indústria local

Segunda-feira, 04 de Julho de 2016 - 17:19 - Atualizado em 27/12/2016 14:58
Jornal Cruzeiro do Sul/Fernando Guimarães

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Toyota exporta cerca de 20% de sua produção brasileira de veículos para a Argentina, incluindo o Etios, montado em Sorocaba
Empresários e funcionários da indústria automotiva de Sorocaba comemoraram a renovação do acordo entre Brasil e Argentina até 2020. Esse acordo, que existe há cerca de dez anos, venceria na quinta-feira, dia 30, e estava preocupando tanto empresários quanto a categoria de trabalhadores do setor. Segundo a diretoria do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Sorocaba, o amadurecimento e a renovação desse acordo faz com que ele caminhe para que, a partir de 2020, efetive-se o livre comércio entre os países, isentando de impostos os produtos para exportação e importação.

O acordo foi renovado após reuniões, nos dias 23 e 24 de junho, do Comitê Automotivo Brasil/Argentina. Conforme o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, o objetivo é garantir a integração produtiva e comercial em busca do livre comércio. O acordo prevê que, para cada dólar que a Argentina exporta ao Brasil em autopeças e veículos, sem incidência de impostos, pode importar 1,5 dólar em produtos brasileiros. Na nota divulgada pelo ministério, ficou estabelecido que a relação entre o valor das importações e exportações dos produtos administrados deverá observar o coeficiente de desvio sobre as exportações -- flex -- não superior a 1,5 no período de cinco anos -- de 1º de julho de 2015 a 30 de junho de 2020.

"Esse acordo é muito positivo para o setor industrial e para as empresas automotivas, pois você começa a pensar num investimento ou contratação com previsibilidade de entrega, ou seja, você não fica em dúvida se aquele comércio vai parar ou não, então, em todo o País, mal ou bem, se você tiver previsibilidade é bom não só para a indústria como para o cidadão comum, para a economia da dona de casa, enfim", afirma o 1º vice-diretor do Ciesp Sorocaba, Erly Domingues de Syllos. Sorocaba, em especial, exporta para a Argentina caixas de câmbio, sistemas de transmissões, embreagens, rolamentos e suspensões, além de veículos da montadora Toyota. "Mas junto dessas peças vão outras tantas produzidas por pequenas e médias empresas que são fornecedoras das grandes empresas", diz Erly.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Ademilson Terto da Silva, também considerou positiva a renovação do acordo entre os países. "Com certeza, essa notícia nos trouxe boas perspectivas no setor automotivo e mostra que o Brasil começa a fazer acordos bilaterais importantes para o desenvolvimento da indústria, embora ainda falte um projeto de desenvolvimento industrial no setor automotivo que ainda não foi apresentado pelo atual governo", defende. Segundo Terto, muitos empresários deixam de investir por causa dessa indefinição política, mas afirma que com a renovação do acordo, pelo menos os do setor automotivo terão mais segurança para investimentos. Conforme o presidente do SMetal, mais de 12 mil pessoas trabalham nesse segmento e serão beneficiadas com seus empregos, o que é muito positivo para a economia industrial da cidade.


Equilíbrio produtivo

O diretor de comunicação e relações governamentais da Toyota do Brasil, Ricardo Bastos, afirma que mais do que a renovação do acordo em si, é a extensão do prazo que beneficia ambos os países e as respectivas indústrias. "Dessa forma, há um cenário claro de médio/longo prazo que auxilia as empresas na integração produtiva e comercial de forma equilibrada. Um acordo com horizonte mais claro, ajuda a trazer ainda mais previsibilidade nos planejamentos, assegurando investimentos importantes para a competitividade nos diversos setores de atuação", destaca Bastos, reforçando o argumento do vice-diretor do Ciesp de Sorocaba, Erly de Syllos.

Segundo o diretor de comunicação da Toyota, o acordo permite ao Brasil e à Argentina equilibrar as forças produtivas, buscando a complementação entre as cadeias, a fim de abrir uma agenda de trabalho que possibilite o livre comércio até 2020, da mesma forma como já existe entre com outros países da América do Sul, como o Uruguai, por exemplo.

Devido a questões de estratégia comercial, a montadora não revelou números de unidades negociadas com os demais países da América do Sul com os quais possui relações comerciais, porém informou que atualmente as exportações para a Argentina correspondem a cerca de 20% da produção total da Toyota do Brasil. Os produtos oferecidos pela fabricante ao país vizinho são o compacto Etios, fabricado em Sorocaba, e o sedã médio Corolla, que tem suas operações baseadas em Indaiatuba.

Apesar de se ter um cenário mais previsível com a renovação do acordo, Bastos ressalta que ainda não é possível prever aumento nos volumes transacionados com o país argentino, partindo do princípio de que tal iniciativa depende, ainda, de fatores macroeconômicos que favoreçam o aumento da demanda naquela região. "Para a Toyota do Brasil, a renovação do acordo com a Argentina respaldará o seu plano de investimentos no longo prazo, promovendo ainda mais a sinergia entre as suas subsidiárias instaladas em ambos os países", afirma.

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