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Editorial

A dor e a humilhação da fome

A solução imediata para impedir a dor dos semelhantes e o alastramento da fome está na solidariedade

Quinta-feira, 26 de Outubro de 2017 - 12:11 - Atualizado em 27/10/2017 09:56
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pobreza, fome, SILVIA IZQUIERDO (AP)
O Banco Mundial estima que, em 2016, entre 2,5 milhões e 3,6 milhões de pessoas voltaram a viver abaixo do nível de pobreza no BrasilSILVIA IZQUIERDO (AP)
Além da morte de um ente querido, qual pesadelo mais provoca pavor nas famílias? A fome é um deles, com certeza. Pois a infeliz verdade é que o Brasil pode voltar a figurar no temeroso Mapa da Fome Mundial, ao lado da Namíbia, Somália, Sudão do Sul, Colômbia e Índia, entre outros.

O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014, após duas décadas de esforços de diversas instituições da sociedade civil e, a partir de 2003, de políticas governamentais de transferência de renda, abastecimento e combate à miséria.

Antes, ainda no início da década de 90, o sociólogo Betinho e sua Ação da Cidadania já haviam sido responsáveis por sensibilizar uma grande parcela da sociedade ao divulgar o primeiro Mapa da Fome do Brasil e ao criar a campanha Natal Sem Fome.

Agora, a volta de milhões de famílias brasileiras à linha da miséria foi apontado por um relatório elaborado por 20 instituições e apresentado publicamente em julho deste ano.

Segundo o economista Francisco Menezes, que participou da elaboração do relatório e é pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e da ActionAid, o Brasil pode voltar ao Mapa da Fome devido a fatores recentes como aumento do desemprego, cortes no Bolsa Família e congelamento dos investimentos sociais por 20 anos.

O Banco Mundial estima que 28,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2004 e 2014. Essa mesma instituição calcula que, somente em 2016, entre 2,5 milhões e 3,6 milhões de pessoas voltaram a viver abaixo do nível de pobreza no Brasil. Isso significa tentar subsistir com menos de R$ 140 por mês per capta.

Segundo o Instituto Peterson para Economia Internacional, os números do Banco Mundial, embora relevantes, devem estar defasados e subestimados, pois não incluem as pessoas que ascenderam para a classe média nos anos prósperos do Brasil e agora iniciaram uma trajetória de retorno às faixas mais baixas de condições sociais.

A fome, no sentido de insuficiência de calorias e nutrientes, portanto, ronda uma quantidade ainda não apurada de brasileiros. E ela, a fome, não faz sofrer só por inanição (carência extrema de nutrientes). A ausência de alimentação em quantidade e qualidade adequadas causam males gradativos, que levam a diversas doenças.

Aliás, além da questão humana, a falta de atenção ao crescimento da miséria por parte de um governo também representa estupidez econômica. A debilidade de um indivíduo, associada à má nutrição, encurta a sua vida produtiva e representa gastos com assistência e previdência social.

Por isso, vários organismos nacionais e internacionais criticam os cortes de Michel Temer no Bolsa Família, que representava apenas 0,5% do PIB brasileiro e contribuía, junto com outros fatores, para evitar a miséria endêmica que assolou o Brasil durante décadas.

Recentemente também foram cortados incentivos do governo à agricultura familiar, indispensável para levar alimentação saudável para as pessoas, inclusive nos rincões de pobreza do Brasil.

Mas, enfim, independente de preferências políticas, o momento exige ações conjuntas da sociedade para barrar o pior. A solução imediata para impedir a dor dos semelhantes e o alastramento da fome está na solidariedade.

Os metalúrgicos de Sorocaba, representados pelo SMetal, nunca decepcionaram nesse quesito. Lideraram o Natal Sem Fome em Sorocaba por quase 20 anos e ajudaram a fundar, em 2005, o Banco de Alimentos de Sorocaba.

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