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Um movimento de várias facetas, que agora caem por terra

Segunda-feira, 27 de Março de 2017 - 14:19 - Atualizado em 28/03/2017 16:37

MBL, Silvinho
SilviinhoSilvinho
Não deu para o Movimento Brasil Livre (MBL) desta vez. A manifestação convocada para este domingo, dia 26, fracassou em todo país. Diferente de quando foram às ruas pedir o impeachment da presidente Dilma, desta vez não houve apoio popular e, em todos os locais onde houve o ato, o que se viu foi muito espaço vazio.

Faz sentido. Em 2016, no auge da crise, o brasileiro estava descontente e era bombardeado com notícias, todas vindas da mídia golpista, colocando o PT como o inventor da corrupção no Brasil. Nessa toada, o MBL ganhou força — e recebeu recursos da direita — para ser protagonista e levar milhões de pessoas vestidas com a camisa da CBF pedir por mudanças.

Evidentemente, o MBL não agia sozinho. Não faltaram notícias – inclusive aquelas da grande mídia – para mostrar que o tal grupo apartidário era, na verdade, um braço dos partidos políticos interessados na queda de Dilma. PSDB, DEM, Solidariedade e, claro, o PMDB financiaram as ações dos jovens insatisfeitos ou, dependendo do poder aquisitivo, simplesmente entediados.

Os tais jovens apartidários lançaram 44 candidatos a vereador e um a prefeito nas eleições de 2016. A maior parte deles estavam filiados ao PSDB e ao DEM. Elegeram oito. Entre eles, Fernando Holiday, eleito vereador em São Paulo pelo DEM, negro que faz discurso pesado contra as cotas raciais e tem dado um show de baixaria e desrespeito na Câmara Municipal.

Até poucos dias atrás um apoiador ferrenho das reformas da Previdência e Trabalhista, o MBL mudou a pauta às vésperas da manifestação deste domingo. Adotou o discurso da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e propôs, através de emendas de deputados federais, a adoção de uma renda básica de R$ 500 para as pessoas acima dos 65 anos. 

Após começar a ser desmascarado inclusive nas redes sociais que dominavam, o grupo agora (e somente agora) afirma defender um tal de "contributivo voluntário por capitalização" (uma espécie de plano de aposentadoria complementar) e o tradicional, por repartição, mas com regras iguais para todos e financiando por contribuições menores que as atuais.

Não é preciso muito para entender o absurdo das propostas de jovens que nunca integraram de fato o mercado de trabalho. E, claro, estão a serviço dos partidos políticos e, também, de organizações como a FIESP, de Paulo Skaf. No fim, querem mesmo é que o trabalhador pague a conta do golpe financiado por eles.

Não por acaso, a manifestação no domingo foi esvaziada. Falava-se fim do foro privilegiado, fim do desarmamento, fim do imposto sindical, não à proposta de lista fechada, não ao financiamento público de campanha, por reformas justas que acabem com os privilégios e não à anistia do caixa 2.

Tudo, claro, sem dar nome aos bois. Até porque, são os bois que financiam a brincadeira da criançada. Depois se tornaram o primeiro grupo apartidário financiados por políticos, o MBL mais uma vez sai na frente ao realizar, como disseram nas redes sociais, a primeira manifestação de “oposição à favor”.

Talvez por isso na manifestação de domingo, convocada pelo MBL, no Rio de Janeiro, teve até cartaz criticando a farsa que se revelou seu o próprio MBL.

Em Sorocaba, menos de 5 dezenas se confinaram numa praça do elitista bairro Campolim para, agora, e somente agora, dizer que é contra a reforma da previdência, quase um ano depois do impeachment, defender a Lava Jato e o combate à corrupção, mas sem citar os nomes dos seus padrinhos do PSDB, do DEM, do PMDB, da Fiesp, etc.

 

Por Silvio Luiz Ferreira da Silva, diretor executivo do SMetal e secretário de Juventude da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM)

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