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'Poderíamos ter diminuído os impactos, se tivéssemos respeitado a democracia'

Tico Santa Cruz, do Detonautas Roque Clube, concede entrevista à Imprensa SMetal. A banda contagiou milhares de pessoas no Parque dos Espanhóis, no 1º de Maio dos Metalúrgicos de Sorocaba

Terça-feira, 02 de Maio de 2017 - 16:32
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Entrevista com vocalista do Detonautas, Tico Santa Cruz, aconteceu pouco antes da banda subir ao palco do 1º de Maio, em SorocabaFoguinho/Imprensa SMetal
Pouco antes de subir ao palco do evento o vocalista da banda Detonautas Roque Clube, Tico Santa Cruz, concedeu entrevista exclusiva ao SMetal. Ele falou sobre o contexto político, a relação com os fãs e sobre o novo CD da banda.

Com o Parque dos Espanhóis lotado, Tico Santa Cruz entrou no palco, por volta das 21h, contagiando o público com um repertório mesclado por músicas que fizeram sucesso nas rádios e também com composições de outros artistas.

Durante a entrevista Tico contou que a banda se preocupou em escolher as músicas para agregar também o público que não gosta ou não conhece rock. “A gente incluiu alguns artistas que a gente gosta de tocar. Sabemos que aqui não tem só o público que curte rock”, ressaltou.

Com abertura para misturar gêneros musicais e aproveitando a variedade da música brasileira, Detonautas Roque Clube está com disco quase pronto para ser lançado no próximo mês, junho. O vocalista destaca que “Tem muita influência dos anos 70 e de música de Bolero, que ninguém espera que o Detonautas faça”.

 

Sexteto

O vocalista revela que o disco, com 10 composições, maioria do vocalista, está mais leve “para poder respirar um pouco”. “Foram três anos muito pesados, de muito boicote, perseguição, ameaça, injúria. Somos artistas, temos muita sensibilidade e é difícil ver esse mundo concreto assim”, desabafa.

Ainda de acordo com ele, o intuito do novo disco, “Detonautas Roque Clube 6”, é passar uma sensação de carinho, de tentar dialogar e dizer “calma, vamos ouvir, vamos olhar com outro olhar para o mundo, de forma mais amorosa, mais afetiva”.

Atualmente, a banda está com seis integrantes. “Voltamos a ter a formação de um sexteto. Em 2005, perdemos um integrante e em 2013 um outro saiu. Agora, colocamos o 6 no nome do disco para marcar esse momento”.

Uma das músicas conta com parceria do cantor Leoni e uma outra foi resgatada de uma Demo de 1997 da banda, a “Aqui na Terra não dá mais para viver”, “que tem a ver com um pouco dessa sensação que temos do mundo, a iminência das guerras, as guerras que estão acontecendo. Conta a história de um cara que constrói uma nave espacial para sair fora”.

 

Conjuntura política

Em agosto de 2015, o Detonautas tocou no evento dos Metalúrgicos de Sorocaba, ao Dia Mundial do Rock, realizado no Parque das Águas. Era um momento de tensão política, com ânimos acirrados pelo discurso preconceituoso e perseguidor da grande mídia aos movimentos sociais.

Passado quase dois anos Tico Santa Cruz destaca que ainda está faltando a sociedade entender que a democracia exige que as pessoas tenham respeito pelas ideias divergentes. “Vejo que há muita confusão na cabeça das pessoas. Vivemos num país sem democratização da comunicação, onde seis famílias comandam a grande mídia e a narrativa é sempre contra os setores progressistas”.

Para Tico, fica difícil travar um diálogo e mostrar que há muita coisa por trás desse discurso. Uma forma encontrada pela banda é emocionar as pessoas por meio da música. “Falamos sobre o amor fraterno, que falta para as pessoas. O Brasil caminhou para um estágio de retrocesso gigantesco, de ódio disseminado, fico triste de ver o Brasil indo por esse caminho. Poderíamos ter diminuído os impactos se tivéssemos respeitado a democracia”.

“A cultura e a arte é a que lida com o imaginário, com a identidade do povo. Criminalizar a cultura faz parte da estratégia de isolar a parte emocional das pessoas para que elas fiquem rígidas e lidem, de forma autoritária”.

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