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Oposição pede impeachment de Michel Temer

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) protocolou pedido de afastamento após revelação de que Temer acertou a compra de silêncio de Cunha

Quinta-feira, 18 de Maio de 2017 - 11:35 - Atualizado em 18/05/2017 11:55
Carta Capital

, Antônio Augusto/Câmara dos Deputados
Molon fez o pedido momentos depois da divulgação da reportagem do jornal 'O Globo'Antônio Augusto/Câmara dos Deputados
O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) protocolou na noite desta quarta-feira 17 na Câmara um pedido de impeachment de Michel Temer. A denúncia de crime de responsabilidade ocorre após a mídia revelar que o atual presidente foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, em diálogo no qual acerta a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. Além do impeachment, a oposição cobra a renúncia imediata de Temer e a convocação de eleições diretas para este ano. 

No pedido de impeachment, Molon reproduz a matéria de Lauro Jardim, de "O Globo", que revelou a comprometedora conversa entre Joesley e Temer. O deputado afirma que, "diante da gravidade dos fatos, é imprescindível a instalação de processo de impeachment para apurar o envolvimento direto do Presidente da República para calar uma testemunha."

À CartaCapital, Molon afirma que "não há denúncia mais grave do que essa". "Um presidente da República pedindo que um empresário continue pagando propina para que um criminoso não conte o que sabe a respeito dele. É uma situação grotesca, mais grave que se pode imaginar numa República. O seu comportamento fere seu dever de probidade e o decoro, a honra que o cargo exige, e também trata-se de obstrução de Justiça."

O senador Lindbergh Farias, do PT, afirma que "o governo acabou" e defendeu eleições diretas já neste ano. "Não podemos aceitar uma saída autoritária, via eleição indireta pelo Congresso. Temos um caminho nesse momento, que é consultar o povo e antecipar para outubro de 2017 o processo eleitoral, chamar eleições. "

O deputado Carlos Zarattini, lider do PT na Câmara, afirmou que a impunidade do governo foi "desmascarada" e também fez coro por Diretas Já. " Agora fica claro que esse governo não tem legitimidade para continuar governando. Chegou ao ponto final. Se o ponto final não for dado pela sua própria renúncia, será dado por essa Câmara e esse Senado através de um processo de impeachment. Nós não aceitamos também que se resolva a sucessão por eleições indiretas. A posição do PT é por eleições diretas. Temos que votar Uma PEC que estabeleça eleições diretas imediatas"

Para a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), as denúncias "são uma bomba que cai sobre eles". "A partir de agora, espero que as forças democráticas representadas nesta Casa, com um direta articulação com a sociedade civil organizada, os movimentos e o fórum de partidos que estejam conduzindo este processo, rejeite essa pauta que estava sendo seguida, de reforma da previdência e trabalhista, todas elas que estavam sendo jogadas por esse presidente ilegítimo, corrupto e golpista. É uma oportunidade para que o País retome o seu curso natural"

Segundo Chico Alencar (PSOL-RJ), a "pinguela ruiu". "Ela estava sobre um pântano, que é o governo Michel Temer. Falo 'era', porque a marca de passado, de superado, de decrépito ficou estampada carimbada e gravada." Ele defendeu ainda um esforço pela transição democrática.

Em nota, o Palácio do Planalto afirma que Temer "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. "(Temer) não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar." Segundo o Planalto, o diálogo no encontro em março com Joesley não teve "nada que comprometesse a conduta do presidente da República".

Vídeo de Molon protocolando a denúncia contra Temer:

Leia a íntegra do pedido de impeachment:

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