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Ocupação de trabalhadores rurais na Fazenda Ipanema completa 25 anos

Terça-feira, 16 de Maio de 2017 - 17:49 - Atualizado em 16/05/2017 18:37
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Área de plantação dos assentados da Fazenda Ipanema, em Iperó; foto foi tirada em agosto de 1992Arquivo SMetal
Há 25 anos, no dia 16 de maio de 1992, cerca de 800 famílias chegavam à cidade de Iperó, na região de Sorocaba, para participar da ocupação nas áreas da Fazenda Ipanema.

Era uma fase de territorialização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e haviam pessoas de diversas regiões do estado. “Aqui estava entre as regiões estratégicas e não havia histórico de grandes mobilizações do MST”, explica o técnico em agroecologia e morador do assentamento de Iperó, Alan Martins Ribeiro.

Na época, ele tinha apenas quatro anos e chegou junto de sua família. “O meu pai, desde 1984, já vinha de uma história de luta pela reforma agrária. Ele esteve em Sumaré primeiro, depois no assentamento de Porto Feliz e, então, viemos ser assentados aqui em Iperó”.

Apesar da idade, Alan conta que lembra daquela data, que ficou marcada em sua memória. “O dia do acampamento, de montar os barracos, da chegada em cima do caminhão, isso foi muito marcante. O dia 16 de maio de 1992 é um dia que está na minha memória, talvez os dias 17 e 18 não, mas aquele dia está”, afirma.

Segundo ele, a maior dificuldade encontrada na época era de que as famílias viviam na cidade em situação de vulnerabilidade, pois não havia estrutura nenhuma, “a única coisa que existia era a organização em si e um diálogo com parceiros”.

O ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Carlos Roberto de Gaspari, lembra que a entidade, junto com outros parceiros, apoiaram o movimento com a logística, o aluguel de caminhões para entrada na área e a montagem dos barracos e alojamentos, além de alimentação e medicamentos para os assentados, entre outros.

 

Assentamento

A implantação do assentamento dos trabalhadores rurais na Fazenda Ipanema ocorreu após alguns anos, em 1996, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “Foi um processo árido no ponto de vista estrutural, mas politicamente não foi tão desgastante como em outras regiões, pois já havia uma assistência técnica consolidada e uma certa aproximação com os governos”, afirma Alan.

Atualmente, segundo o morador, o assentamento está em um processo avançado de desenvolvimento. As famílias possuem concessões de uso dos terrenos, por tempo indeterminado, e têm acesso a créditos para compra de equipamentos, tratores, caminhões, entre outros, com o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Os moradores do assentamento estão organizados através de cooperativas e associações e entregam alimentos a várias cidades do estado de São Paulo, através do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), implantados no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“No ponto de vista de produção e comercialização está bastante avançado, inclusive está faltando mercado para tamanha produção que temos aqui hoje”, assegura Alan.

Na questão ambiental, o técnico em agroecologia conta que a agricultura local é de impacto muito leve ao meio ambiente e que, inclusive, todas as famílias plantaram árvores ao longo dos anos, melhorando a flora e fauna da região. Atualmente há 53 hectares de floresta em fase de formação.

 

Desafios

Questionado sobre os principais desafios do assentamento para os próximos anos, Alan diz que houve um forte corte nas políticas públicas que atendem esses agricultores. “O PAA, por exemplo, que era um programa que atendia 100% das cooperativas, hoje não atende mais, não tem nenhum projeto aprovado para 2017. Isso é um retrocesso muito grande”, lamenta.

A atenção do governo com as renegociações de dívidas dos assentados, para garantir novos acessos para linhas especiais de crédito é outro tema de destaque para o técnico. “Os moradores começaram a acessar créditos quando o assentamento era muito recente e não tinham o conhecimento e a assistência para poder aplicá-lo de forma adequada”, disse.

“Hoje o assentamento está consolidado, completando seus 25 anos, e essas famílias produzem muito, porém não conseguem acessar o crédito por estarem inadimplentes”, completa.

Localizado na Fazenda Ipanema, em Iperó, atualmente moram no assentamento 150 famílias.

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Alan Martins Ribeiro é técnico em agroecologia e morador do assentamento de IperóArquivo Pessoal

 

 

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